Júlia não encontrou a arte – cresceu dentro dela.
Sua mãe conta que, desde o primeiro lápis entre os dedos, já havia gosto.
Como se aquilo não fosse descoberta, mas memória.
Cresceu, por influência de sua mãe, experimentando formas de expressão: piano, ballet, biscuit, pintura em caixa, costura, crochê, inglês… mas era na pintura que algo silenciava por dentro. Ali, o tempo ganhava outro ritmo, e o resto deixava de existir. Era o seu instante favorito — aquele em que, enfim, se encontrava.
Começou aos nove — e nunca mais saiu de dentro dela.
Pouco depois, seu pai lhe apresentou um livro sobre os impressionistas. Foi amor imediato, silencioso e definitivo. E, quando uma aula por semana já não bastava, Júlia montou seu próprio ateliê em casa. Tinha cerca de onze anos — e já intuía que a arte não caberia em limites.
Aos dez, encontrou o teatro — outra paixão que a atravessaria por inteiro.
Aos doze, sabia que seria arquiteta.
Aos quinze, tinha certeza de que também seria atriz.
Seguiu, então, construindo seus caminhos com a mesma intensidade com que pintava: tornou-se Bacharel em Artes Cênicas pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e Arquiteta e Urbanista pela UniFil.
Da arte, fez também ensino. Licenciou-se em Arte e passou a lecionar ainda jovem, aos 21 anos.
Especializou-se tanto na educação quanto na arquitetura, tornando-se Especialista em Projetos Arquitetônicos pela UEL.
Desde sempre, viveu no plural: duas faculdades ao mesmo tempo, trabalho e estudo, estágio e criação. Nunca foi sobre escolher um só caminho — mas sobre fazer todos coexistirem.
E, ainda assim, parecia não ser suficiente. A arte sempre pedia mais espaço.
Foi durante o acompanhamento de uma cliente, já na fase pós-projeto, que algo mudou. Incomodada com a ideia da cliente investir tanto em uma tela impressa, Júlia pensou — quase como um sussurro interno — que poderia ser diferente. E foi.
“Deixa que eu faço suas telas.”
Assim, como quem revela um gesto antigo, começou. Criou, pintou, entregou. E, a partir desse movimento, algo se expandiu.
Os quadros deixaram de ser exceção e passaram a fazer parte do caminho — integrando também os projetos de seus clientes. Mas Júlia ainda queria mais: queria ver suas obras habitando casas, clínicas, escritórios — queria a arte viva para além dos espaços que projeta.
E então, o que antes era apenas Júlia Siécola Arquitetura, transformou-se.
Ganhou outra camada, outro respiro, outro nome:
Júlia Siécola Arquitetura e Ateliê.
Um lugar onde espaço e sensibilidade se encontram.
Onde a arte não é detalhe — é essência.
Seja bem-vindo a um universo feito de traços, matéria e arte.